‘Clube da Esquina’, álbum que mostrou admirável mundo novo à MPB, conserva a chama da juventude aos 50 anos | Weblog do Mauro Ferreira
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♪ MEMÓRIA – Álbum que expôs admirável mundo novo na música brasileira ao ser lançado em março de 1972, Clube da Esquina conserva todo o frescor ao completar 50 anos, já eternizado como um dos melhores discos do mundo em todos os tempos.
Com 21 músicas que ultrapassam uma hora de som, o duplo é a pedra basic de movimento musical que, orquestrado por Milton Nascimento, deu contorno ao som de Minas Gerais sem jamais ter restrições restritas às fronteiras de Belo Horizonte (MG). Até a grande parte do repertório foi composta em 1971 em espécie de residência dos músicos e compositores em casa de praia porque localizada em Mar Azul, balneário litorâneo da cidade fluminense de Niterói (RJ).
Embora oficialmente creditado a Milton Nascimento ea Lô Borgesentão com 30 anos e 20 anos, respectivamente, o álbum Clube da Esquina é trabalho de grupo. Uma discoteca de amigos e de Nelson da banda de baixista por músicos do naipe do naipe Luiz Alves, do guitarrista Angel e do baterista Robertinho Silva, bat que remeteu aos tambores de Minas neste som de álbum que eletrificou Milton Nascimento.
O álbum Clube da Esquina foi organizado conceitualmente pelo poeta e compositor fluminense Ronaldo Bastos, letrista de seis das 21 músicas do álbum – obras-primas como Cais, Cravo e canela, Nada será como antes (apresentada a rigor em 1971, na disco de Joyce Moreno), Nuvem cigana, O trem azul e Um gosto de sol.
Niteroiense, Bastos orquestrou o conceito poético do disco, tendo como norte a música genial composta por Milton Nascimento e Lô Borges com parceiros letristas como os mineiros Fernando Brant (1946 – 2015) e Marcio Borges, além do próprio Bastos.
De certa forma-se afirmar que o Clube Esquina começou a 60 anos, em 1962, ano que existirá em que Milton, artista já nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1942, migrou para Belo Horizonte (MG) , vindo de Três Pontas (MG), cidade interiorana onde se criou.
Na capital mineira, Milton tomou contato com a efervescência musical de BH – caindo na noite da cidade com o amigo de fé Wagner Tiso – e fez mais amigos ao morar no lendário Edifício Levy, onde então residia a família Borges, dos irmãos Lô e Marcio .
Com Marcio Borges, Milton desenvolveu a obra como compositor e uma amizade que floresceu a partir de ida ao cinema para ver o filme francês Jules e Jim (1962).
Milton se revelou um gênio MPB, avalizado pela visionária Elis Regina (1945 – 1982) – cantora que deu voz à Canção do sal (Milton Nascimento1965) em álbum de 1966 – e alçado à condição de ídolo na plataforma de competition da canção de 1967 ao defensor Travessiaprimeira parceria da obra basic construída com Fernando Brant.
Contudo, muito do admirável mundo novo que se abriu para a MPB em 1972, com o álbum Clube da Esquinafoi também fruto da inspiração de Lô Borges, desbravador de inventivos caminhos harmônicos e melódicos. Sintomaticamente, é de Lô (com versos de Ronaldo Bastos) a música que abre o álbum duplo na voz de Milton Nascimento, Tudo que você pode ser.
Lô generation um que idolatrava os Beatles, mas sabia ter os Fab 4 como referência ao criar uma identidade própria como compositor de músicas como Um girassol da cor de seu cabelo, Estrelas e Trem de doido que se tornou quase tão icônica quanto em si – em 21 músicas eram distribuídas em quatro lados.
Já Milton trouxe uma referência da música moura ouvida nas Geraes, do som sacro das igrejas, da latinidade sul-americana – explicitada em São Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant), música evocativa dos tempos sombrios do Brasil em 1972, atmosfera pesada também abordada nos versos escritos por Brant para Saídas e bandeirasmúsica cantada por Milton com Beto Guedes – e da latinidade espanhola, evidenciada na regravação de Dos cruzeiros (Carmelo Larrea, 1952), uma das duas músicas do álbum selecionado dos compositores do trilho autoral do Clube da Esquina.
A outra música vinda de fora foi Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Airton Amorim, 1951), samba redimensionado no dueto de Milton com Alaíde Costa, cantora carioca surgida no universo da bossa nova e até então esquecido. Ao tornar Me deixa em paz um lamento, ecoando toda a dor e as lágrimas que descem sobre a pele escura desde que o samba é samba, Alaíde renasceu artisticamente ao lado de Milton.
Dentro do amálgama de referências reprocessadas que gerou o som singular do álbum Clube da Esquinahavia também o jazz, as conquistas harmônicas da bossa nova – determinantes na formação musical de Toninho Horta, guitarrista solista d’O trem azul – ea música erudita, uma das bases da formação de Wagner Tiso, arranjador que dividiu a função com Eumir Deodato com supervisão musical de Milton Nascimentoainda que o maestro Lindolpho Gaya (1921 – 1987) tenha sido creditado oficialmente como diretor musical do disco por estar vinculado à gravadora Odeon.
Com todos esses elementos sonoros, Milton organizou o movimento que nunca pretendeu ser um movimento musical. Mas que se tornou, sim, um movimento pop que ganhou common com o dos anos. A esquina sempre foi mais metafórica.
Se existe uma esquina de fato, parece ter sido a que promoveu o cruzamento de Milton Nascimento com Lô Borges em bar de Belo Horizonte (MG), nos idos de 1969, na ocasião em que Lô pediu ajuda para a música que se chamaria Clube da Esquina e que foi apresentado no 4to álbum do mentor do movimento, Milton (1970), gravado com o grupo Som Imaginário.
Com Clube da Esquinaálbum na qual aparece a canção Clube da esquina 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges), Bituca – como Milton é chamado amigos no meio musical – pôs pelos Minas Gerais no mapa-múndi da música.
De tudo, essa turma agregada (se) fez canção. E tudo parece ter sido feito sem pretensões por um grupo de amigos que ardiam na fogueira das paixões pela vida, com a juventude.
Por ter apreendido esse espírito de juventude da turma em 1972, o álbum Clube da Esquina completa 50 anos sem nunca envelhecer, os sonhos de fraternidade brasileira como turma, sem saber e sem querer dividiu águas e fez história na música há 50 anos.
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