Conferência Bitcoin de Miami deixou um rastro de assédio
Agora, embora existam vários espaços de criptomoedas focados em mulheres, Odeniran diz que as mulheres ainda estão sub-representadas. “Já estive em espaços onde sou a única pessoa negra, ou a única mulher, ou a única mulher negra”, diz ela. Odeniran diz que as mulheres precisam desses espaços para se envolver, mas também para a solidariedade. Espaços onde as mulheres estão em menor número podem parecer exclusivos, ou pior: inseguros.
Depois que Siegel descobriu que um organizador da conferência havia se envolvido com os tweets de assédio, ela conseguiu que um amigo levantasse a questão mais uma vez com um conhecido que trabalhava para a conferência. Desta vez, ela obteve uma resposta. “Lamento que isso tenha ocorrido em nosso evento”, escreveu Justin Doochin, chefe de eventos da BTC Inc., “mas sem o nome ou electronic mail dessa pessoa, não temos como identificá-la e impedi-la de participar de eventos futuros”. Siegel escreveu de volta para dizer que @bitcoin_fuckboi havia postado várias selfies em sua conta, inclusive com personalidades proeminentes do Bitcoin, durante o evento. Ela também se lembrou de que ele montou o touro mecânico na conferência, o que reduziria a apenas algumas dúzias de participantes possíveis.
Enquanto isso, David Bailey – o CEO da Bitcoin Inc., a organização que administra a conferência Bitcoin – respondeu ao incidente no Twitter. A @Chairforce, escreveu ele, foi “seriamente repreendida, mas todo mundo comete erros e european não vou demiti-los por isso”. Quanto à conferência em si, ele escreveu: “26.000 pessoas compareceram, não deixe algumas maçãs podres colorir a comunidade”. Uma mulher respondeu sugerindo que as mulheres poderiam se sentir mais seguras se tivessem clareza sobre o código de conduta da conferência. “Já temos isso”, respondeu Bailey. (Os organizadores da conferência Bitcoin se recusaram a responder minhas perguntas sobre como lida com o assédio ou violações de sua política de assédio.)
Para Siegel, não há como desfazer os danos do assédio que ela sofreu no Twitter. Mas ela ainda quer que os organizadores assumam a responsabilidade pelo que aconteceu enquanto ela estava lá. “As pessoas estão subestimando o quão assustador é ter uma conferência dizendo que se algo acontecer, não haverá um curso de ação”, diz ela. “O tipo de piada misógina que você pode ver no Twitter suppose uma forma completamente diferente quando você está na mesma sala que aquele homem.”
Após o término da conferência, outros começaram a falar sobre a normalização da misoginia nos círculos do Bitcoin. “Em nome de 100 milhões de bitcoiners, gostaria de me desculpar formalmente pelos mil ou mais valentões que acham que assediar mulheres na vida actual é louvável”, uma pessoa twittou. “Esses malucos não nos representam e nós não gostamos deles.” Algumas pessoas responderam solidariamente; outras respostas foram menos animadoras. “Mulheres são para irl, não para bullying, wtf bitcoinbros”, escreveu um usuário do Twitter chamado @insiliconot. O tweet recebeu 21 curtidas.
Uma postagem de weblog também circulou no Twitter, pedindo o fim da “glorificação de estupro, misoginia e assédio sexual” dentro da comunidade Bitcoin. O autor, Tom Maxwell, apresenta um podcast sobre Bitcoin; ele diz que escreveu o publish depois de ouvir sobre o que aconteceu com Siegel na conferência. Ele achava que o assédio dela generation inaceitável, mas também não generation surpreendente. “Technology como, aqui está outro exemplo desse tipo de coisa acontecendo”, ele me disse. Depois que ele publicou seu weblog, algumas pessoas no Twitter do Bitcoin responderam e o chamaram de “beta” ou “um desperdício de espaço”. Uma pessoa disse para ele se matar.
Maxwell e outros defensores do Bitcoin estão convencidos de que a toxicidade de certos grupos não representa toda a comunidade. Mas pode ser o suficiente para expulsar algumas mulheres do espaço. A mulher que encontrou o AirTag em sua bolsa durante a Bitcoin Week decidiu deixar um emprego na indústria por causa do que ela vê como toxicidade na comunidade. Siegel, que entrou no espaço criptográfico em 2017, diz que estava ansiosa para que a comunidade se tornasse mais diversificada nos últimos anos. “Mas temo que, se continuarmos nos apoiando nessa cultura, assustaremos essas mulheres que estão se envolvendo”, diz ela. “Nós vamos retroceder.”
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Fonte da Notícia: www.stressed out.com




