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Dori Caymmi e Mônica Salmaso se enredam cúmplices nas tramas do álbum ‘Canto sedutor’ | Weblog do Mauro Ferreira

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Artista: Dori Caymmi e Mônica Salmaso

♪ Parceiros em obras-primas da MPB como Desenredo (1976) e Velho piano (1982), Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro ampliaram a obra conjunta ao longo dos últimos 13 anos em quatro álbuns – Mundo de dentro (2009), Poesia musicada (2011), Setenta anos (2014) e Voz de mágoa (2017) – gravadas por Dori somente com músicas compostas com o parceiro letrista.

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Em que pese a alta qualidade poética e melódica do cancioneiro recente da dupla, a obra dos compositores vem resultando pautada por certa linearidade na forma e na temática, evidenciada nesses quatro álbuns de Dori.

Como o canto excepcional de Mônica Salmaso também soa por vezes com a mesma temperatura, a ideia de um álbum como Canto sedutor – nos jogadores digitais a partir de amanhã, 27 de maio, e com edição em CD já nos planos da gravadora Biscoito Fino – é, em teoria, no mínimo arriscada.

O risco foi diminuído pelo fato de Dori ter tido à disposição, na criação dos arranjos, músicos como o violeiro Neymar Dias, o baixista Sidiel Vieira e o pianista Tiago Costa, além do flautista Teco Cardoso, produtor musical do disco, enquanto álbuns como o já mencionado Setenta anos foram formatados somente com a voz e violão de Dori (o que já é muito, diga-se).

Ainda assim, é sintomático que os dois pontos mais altos do álbum Canto sedutor sejam os registros de músicas mais antigas do repertório. Samba-canção que ressoa o desengano que emerge no vaivém do amor, Velho piano toca fundo na voz de Mônica, secundada pelo contracanto de Dori, com arranjo encorpado pelas cordas da St. Petersburg Studio Orchestra.

Introduzido no disco pela voz de Dori, cujo canto é capaz de conciliar doçura e profundidade, Desenredo se desenrola com os dois artistas puxando o fio da memória afetiva mineira em trama que ecoa a sintaxe do poeta e escritor João Guimarães Rosa (1908 – 1967).

Dori Caymmi e Mônica Salmaso lançam o álbum ‘Canto sedutor’ na sexta-feira, 27 de maio — Foto: Lorena Dini / Divulgação

É nesse encontro de vozes de amor e mágoa que are living muito do encanto do álbum Canto sedutor. Não se trata de um álbum de Mônica cantando Dori. Canto sedutor é disco em que Mônica canta Dori com Dori – o que faz toda a diferença.

A cumplicidade dos solistas salta aos ouvidos já na abertura do álbum com a inédita música-título Canto sedutor. “Às vezes as canções têm dor / E a voz até pode embargar / Mas canto um canto sedutor / Pra quem precisa me ouvir”avisam Salmaso e Dori, afinados, nos versos metalinguísticos do tema de abertura.

Na sequência, outra inédita, Raça Morenasitua o cancioneiro de Dori e Pinheiro no Brasil interiorano, rural, das matas e das águas, habitat herbal da obra resultante da parceria.

É nessa geografia sertaneja que é ambiente Vereda (2011) – música oferecer do baião com arranjo que segue a pisada – e A água do rio doce (2022), a terceira apresentada entre as 14 músicas do álbum.

E, justiça seja feita, o enredo de Canto sedutor aliviar as dores poetizadas em buscas melancólicas como Delicadeza (2009), solada pela cantora e ornada com as mesmas cordas que pontuam a lembrança afetiva de História antiga (serenata brasileira1990), outra faixa somente com a voz de Salmaso.

A luz nordestina de Estrela da Terra (1980) dissipa a treva sombria do desenredo cotidiano, com o toque do acordeom de Lulinha Alencar, instrumento que é um dos protagonistas da metalinguística Sanfona, flauta e viola (1994), exemplo de obra dos compositores cariocas se embrenham pelo grande sertão nordestino dos cantadores de baiões, modas, xaxados e aboios, evocados pelo contracanto de Dori na faixa levada pela voz de Mônica.

Voz de mágoa (2017) – música que batizou o último álbum solo de Dori, lançado há cinco anos – ressurge feliz, como cantiga para crianças. Já O passo da dança (2014) evolui leve, ágil, no canto dos artistas, com o baixo de Sidiel Vieira, o piano de Tiago Costa e as flautas de Teco Cardoso circulação entrosados ​​na dança na própria passagem instrumental do arranjo embasado pelas percussões de Bré Rosário e da Mônica .

Em atmosfera contemplativa, é bonito de se ouvir a evocação em Quebra-mar (2009) do cancioneiro matricial do Dorival Caymmi (1914 – 2008), patriarca da família musical de Dori.

No fecho do disco, a canção À toa (2014) mantém Canto sedutor na mesma trilhada pela de Dori Caymmi Pinheiro, reiterando a obra de Paulo César de que, embora seja tudo da música bonita no álbum, já a hora de Mônicas sairo do Brasil – uma das maiores cantoras passaro em todos os tempos – da zona de segurança e arriscar outros caminhos, outras trilhas, outros filhos, como fizeram Alaíde Costa, Áurea Martins e Leila Maria em álbuns recentes e já antológicos.

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Fonte da Notícia

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Osmar Queiroz

Osmar é um editor especializado em tecnologia, com anos de experiência em comunicação digital e produção de conteúdo voltado para inovação, ciência e tecnologia.

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