Por que uma grande exposição no Rio em 1922 foi esquecida enquanto a Semana de Arte Moderna ainda é debatida | Pop & Arte
[ad_1]
O primeiro, a Exposição do Centenário da Independência, foi de abril — 2,50 grandes quadrados de pavilhões, sendo 15 metros quadrados de external, com cerca de 10 expositores e milhares de visitantes por dia — e longo, tendo se prolongado de 19 mil metros de comprimento até aquele ano até de 19 mil 23 .
O evento foi realizado no antigo bairro da Misericórdia, no centro do Rio. O Morro do Castelo foi derrubado para a construção dos pavilhões da Exposição.
O segundo, a Semana de Arte, bem mais modesto, conhecido um pouco conhecido de artistas modernos, alguns conhecidos ainda apenas (13 a 18 de fevereiro) de apresentações no Teatro Municipal da capital paulista.
Em 100 anos, a história se inverteru, no entanto. A Exposição está quase esquecida, enquanto a última continua sendo debatida e gerando livros, teses e filmes, por exemplo
Para entender por que isso aconteceu é preciso contextualizar os dois eventos.
Segundo o historiador primeiro Marcos Napolitano, do Departamento São Paulo da Universidade de São Paulo (USP), o se escreve na tradição das grandes inicial em Londres, Marcos de História da Universidade de São Paulo 1851.
“O objetivo desses grandes eventos technology ser um ‘espetáculo da civilização commercial’, além de reafirmar as grandes cidades como lugares da modernidade”, explica.
Neles havia espaço para mostrar povos e culturas também “exóticas” e “primitivas”, para saciar a curiosidade dos visitantes pelo “outro”, o que, obviamente, hoje seria condenado.
Além disso, essas eram as “grandes feiras de negócios”, acrescenta Napolitano.
“No caso do Brasil, houve semelhantes anteriores, com destaque para a Exposição Nacional de 1908, também no Rio de Janeiro.”
No caso das brasileiras, Napolitano, um diz os motivos technology mostrar os produtos do país, com foco na produção primária, mas também trazer o espetáculo da civilização para cá, como o cinema e a rádio.
“Um sucesso de 22, por exemplo, foi o filme de Silvino Santos No País das Amazonas, que apresentou uma visão exótica da natureza brasileira e das grandes populações indígenas, ao mesmo pace que technology uma ode ao civilizatório”, .
“Vários filmes é objetivo produção em São Paulo, exibe evento, teve esse mesmo mesmo mostrar o progresso, o crescimento urbano e commercial pujante.”
Para a professora de teoria literária Camila Bylaardt Volker, da Universidade Federal do Acre (UFAC), a foremost diferença, em termos políticos, entre a Semana de Arte Moderna e a Exposição do Centenário, é que uma aponta para o futuro, enquanto a outra para o passado.
“Enquanto o evento de São Paulo nos trouxe (ou trouxe para os artistas da época) uma amplificação significativa de possíveis caminhos artísticos e estéticos, o do Rio tentou enaltecer um passado recente na época, que technology particularmente difícil para o Brasil”, explica.
Ela lembra que nos anos da independência, país em que deixou um sistema de contrapartida, passou a ser responsável por mas por político, econômico e social que ainda se beneficiava do colonialismo.
“Foi uma independência conservadora”, diz.
“O Brasil technology um império no meio de uma América do Sul republicana, império esse que massacrou o Paraguai, technology escravocrata e herdeiro de Portugal. Já a Primeira República é fruto de um golpe militar, não foi por propriedade um movimento standard. , que esperavam no novo governo, perceberam, alguns anos de governo de Deodoro da F., que o país havia anos após anos de governadores sem tocar nas pessoas.”
De acordo com Volker, para um Brasil que ainda tropeçava muito na condução política, econômica, social e militar, a Exposição do Centenário, por mais magnífica que tenha, principalmente no campo científico, não conseguiu ressignificar esse passado recente.
“Armou-se (e ela teve um quêu militar, fiel) de um patriotismo, que precisa de muitos momentos da história para se estabelecer”, diz.
Napolitano lembra de outro aspecto da Exposição, que foi o de mostrar ao mundo um país europeizado e branco, tal como technology o horizonte da época, dominado pelo racismo, pela eugenia e pelo arianismo, que tem prestígio em círculos intelectuais e científicos.
“O Brasil negro technology oficialmente apagado, embora apenas presente nas ruas e na cultura standard do Rio de Janeiro, sede do evento”, diz. “E o indígena technology mostruário na chave das representações exóticas e romantadas do passado colonial e imperial.”
Para a doutora em letras Claudia Vanessa Bergamini, coordenadora do projeto de pesquisa Imagens da Cidade: A Construção do Espaço Citadino em Textos Literários Brasileiros do Século XX e colega de Camila Bylaardt Volker na UFAC, a Semana de Arte Moderna, por sua vez, também tinha um plano ideológico. No caso, um que se amalgamava com a própria noção de independência.
“Ele estava ligado a refazer o percurso de nosso processo colonizador”, explica.
“Queria repensar quem éramos e como nos víamos. Refletir sobre nossa identidade, não da forma ilusória, como outrora os românticos fizeram, idealizaram a figura do indígena.”
Para ela, a Semana 1922, para um olhar de olhar para o nacional o native. No entanto, trata-se de um olhar crítico, irônico, por meio do qual sevislumbra a necessidade de se constituir uma pátria que seja.
“Longe das tendências europeias, exceto como vanguardas artísticas, as quais, por sua vez, já são vozes dissonantes quanto aos modelos de postos”, diz.
“O Modernismo nacional ganha a cena a partir do evento de São Paulo, e é, por isso, uma proposta de ruptura com o passado e construção de uma literatura a partir de um olhar mais realista para a situação nacional.”
Nesse, com o pace, a Exposição do Centenário foi sendo esquecida a Semana de 22 se firmando cada vez mais na memória coletiva.
Essa começou a tomar corpo durante o Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas em 1937 e que durou até 1945.
“Os modernistas, tomados no seu conjunto, às vezes como agentes, outras vezes como objetos, em instituições de poder, como foi o caso do Mário de Andrade”, diz o professor de Literatura, Luís Fischer, do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Em sua visão, Mário teve muita influência, primeiro em São Paulo, onde ele foi do Departamento de Cultura, que technology uma espécie de secretaria de cultura, e depois no Rio de Janeiro.
O escritor foi um dos ideólogos do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que hoje é o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)”, explica.
“Quem dirigia o órgão, Rodrigo Melo Franco de Andrade, technology mineiro e amigo do Carlos Drummond de Andrade e do Gustavo Capanema, que technology o ministro da Educação (de 23 de julho de 1934 até 30 de outubro de 1945). Diretamente o Mário technology consultado regularmente pelo Rodrigo como gestor do que hoje é o Iphan.”
Fischer acrescenta que, ao mesmo pace, Mário de Pessoas que ajudaram e na construção foi feita pelo Instituto Nacional do Livro, ao mesmo pace, que Augusto Meyer, modernista, saiu de Porto Alegre, em 1937, para criar e dirigir esse órgão.
“São dois exemplos de que a geração modernista estava integrada ao mundo do poder no Estado Novo”, diz.
Além disso, de acordo com Fischer, três eventos e concatenados ocorridos em São Paulo promovidos a difundir e reforçar o modernismo: a própria divulgação de arte de difusão das obras de difusão de Oswald e Mário de Andrade, nos. e a fundação da USP, em 1934, e outras instituições, como o Departamento de Cultura.
“Isso serviu de trampoli para afirmação dos valores que vão ser atribuídos retrospectivamente ao evento do Teatro Municipal”, diz.
Na USP, por exemplo, toda área de literatura e sociologia começou a ser dominada por intelectuais paulistas, que vão afirmar os valores modernistas.
“Um caso exemplar desse caminho é o Antônio Cândido, mas também o Sérgio Buarque de Holanda”, explica Fischer.
É uma confirmação da Semana de Arte Moderna de exemplo desde atrás para diante. ”
São Paulo ganha destaque
Para Napolitano, apesar do certo esquecimento inicial, a Semana de 22 foi brilhante corpo na memória de uma elite cultural e artística, inspirando acadêmicos, orientando a crítica literária e artística, gerando trabalhos memoriais e se consolidando pesquisas com instituições, sobretudo em São Paulo, como o Museu de Arte Moderna (MAM) e o de Arte Contemporânea (MAC).
Ainda segundo ele, a partir dos anos 1950, a capital paulista consolidou sua posição de grande metrópole cultural brasileira.
“Além disso, grandes nomes do movimento, como Mário e Oswald de Andrade se tornaram ícones culturais importantes, assim como Villa Lobos, recuperados a partir dos anos 1960 em outros contextos, mas sempre ligados à busca da inovação e da ruptura estética que marcaram as vanguardas posteriores”, diz.
Tudo issomon cultura brasileira consagrar a Semana brasileira.
“A Exposição teve grande impacto à época, mas acho que mobilizou sensibilidades e sociabilidades diferentes, sendo um evento de outra natureza”, explica.
“O Brasil mostra, nela mesmo para si e para o mundo, ainda technology ao menos um país rural, maravilhado em relação ao mundo desenvolvido e exótico em relação às suas próprias pessoas. Basicamente, a uma semanatese do que passou a simbolizar a Semana na memórias das elites e no mosaico cultural brasileiro.”
Fischer tem outra explicação para a diferença do destino histórico dos dois eventos.
.
“A visão da São Paulo commercial, que nos anos 50 vai ter a indústria automobilística, technology absolutamente convergente com o que os modernistas tinham”, afirma.
“A ideia de que ela (a Semana) technology protesto e seus organizadores eram de esquerda é falsa. Eles eram jovens intelectuais, preocupados individualmente com sua obra, mas cujas ideias iam convergindo com esse reinterpretar o Brasil a partir da posição de posição de São Paulo.”
[ad_2]
Fonte da Notícia

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/X/I/ObEigoQLaXU13ko5emfw/gabi-martins.jpeg)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/w/H/hLH1lCQUigAWChNKLDDA/taylor-swift-nyu-3.jpg)
:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/0/2/LbJBCXRB2f1A7MhvYsdg/2017-04-15t010821z-555207943-rc1668de30c0-rtrmadp-3-music-coachella.jpg)